12. TÓPICOS
“Deveria haver uma poesia que
chovesse no árido da seca
do “ser tão” em uma lágrima
perene de fartura”
(...)
“O sertanejo raspa a terra, há uma
poesia em ventos que secos vibram no vazio sem tempo, só temperatura”
(...)
“Pés descalços deixando o limbo nos
seixos. Terra crivada,
marca seca, morte úmida de lágrima invisível”
(...)
“Deixei meu
rastro em açude profundo onde o lamento é lama e sentimento”
(...)
“O “ser tão” em desuso, venta o uivo,
canta o choro do anu, decote de um tempo sempre tranqüilo”
(...)
“A dor de matar a vida, a dor
de viver a morte”.
(...)
“Eu não me mato por simples devoração de mim”.
(...)
“Quero mais que uma epidérmica emoção, quero o eterno álmico”
(...)
“Não me sou, sendo o que realmente sou”.
13 . ESCORIAÇÕES
Rústica estrada,
Meu pensar esparramado pelo mundo.
Abóbada estrela,
Detê-la,
Abster-me.
Nada mais quero.
Minha voz ressoa em minhASAS.
Rígida corrida.
Vencê-la
Sofrer-me
Você é tudo e nada
Preciso e não necessito de seu olhar
Seus beijos dilúvios
Que deixam em mim escoriações.
Tudo pulsa em um sentir oculto.
Vê-la,
Valer-me
Tecendo a natureza
Um morro,
Um sol,
Um pássaro
Uma nuvem
Vendo-lhe
Uma vida
Uma luz
Um infinito
Um mistério
Minhas pegadas sob seus pés.
Luz vendaval.
Retê-la,
Crescer-me.
Habitat de seu interior
Íntimo do meu
O muro separa limites
Sem lindes, risco nosso mundo índigo.
Sentimento consolidado
Papoulas, lagos, filhos
Liames, vieses e a sorte
Supor, sonhar,
morte estelar.
Quanto mais vivo
Mais amor a entregar
Sem perder-lhe
Acorrente-me
Na prece do violão
Que dedilha minhas harpas álmicas
E faz minhas asas arderem na vontade
De apenas voar.
M. 

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