terça-feira, 11 de setembro de 2012

"ARQUIVOS ARQUEOLÓGICOS XI"




22. TÓPICOS I


“Eu sou a ceia, o almoço e a serpente atrás do prato”
(...)
“Quero conhecer o conhecido diferente”
(...)
“Vou assim descobrindo que tudo é mais do que sei”
(...)
“O melhor lugar para se residir é dentro de si mesmo. Dentro da águia interior, é óbvio”.
(...)
“Verso é coisa líquida”
(...)
“Se vazo cotidianos, é porque  transbordo-me de viesespirituais”.
(...)
“Sou véu escuro e tristeza profunda em ocaso ancestral”
(...)
“Deixe-me rir, assim como se ébria estivesse, são lágrimas que me afogam”.
(...)
“Eis-me  aqui, mais amarga, sou fel estelar algemada em esteiras absurdas”.

“A  vida nos atinge de tantas formas. Nos confunde e traga. Outras, nos abriga e resgata”
(...)
“Nosso olhar nasce do coração. Aquecemos nosso corpo com a face da alma  e culminamos o entalhe de nossa expressão  mais íntima: espiritualidade”.
(...)
“Gradativamente o Homem
Desassume o ser
Some-se na necessidade do ter
No silêncio do por vir
Aparece o desejo de ouvir
Uma música que assuma a súmula
De um  vagabundo”.
(...)
“Houve um subterfúgio
Uma volúpia transcendental
O conhecimento urge
Uma entrega total”.

M.  

"ARQUIVOS ARQUEOLÓGICOS X"


20. HOUVE TEMPOS


Houve tempos em que tu  não havias.
Houve tempos em que a luz não brilhava.
Houve tempos em que os lugares eram vazios.
Houve tempos em que o som não ecoava.
Houve tempos em que os lacres não se abriam.
Tudo sem vida
Hoje somos o próprio tempo.
Há todo o tempespaço
Clamando nossASSÍDUA
                                                      companhia.




21.  EUMALDITA


Poesia rabiscada
Mapeando internalizações
Poesia derramada dos  punhos
Ou serão os punhos que saem
dos olhos do coração de onde nasce a poesiaquiliana?
Em  mim há  frases que riscam
                          o mal
Eu mal transcrita,
Eu mal dita
                         em palavras
                                                 escritas.

M. 

"ARQUIVOS ARQUEOLÓGICOS IX"



18. ARDOR


Vejo tudo que me convida
À vida em teu olhar.
Enxergo tudo que me é
Em ti.
Provo do sabor sereno
Em teu beijo
E,
Adormeço em tua ‘lma
Reinsistindo toda
                           eternidade.




19. TECLAS SILENTES


O piano me enleva
Planos inefáveis
Brisa silenciosa
Vagando minhas idéias
Pensamentos tantos.
Dobro-me meu coração
Florescem extratos
Flores invisíveis
Intensos bálsamos de vida
Correndo céleres
Conduzindo-me
Em veios de aleg(o)ria.

M. 

"ARQUIVOS ARQUEOLÓGICOS VIII"



16 . SONHOS


Os sonhos não se despencam das  lutas.
Respiram pelo ar que emana do suor
Conspiram com a vida em nuances
Trazendo distúrbios e soluções serenas
Os sonhos se despem de lágrimas e risos
Entre ventos suaves e ciclones
Em uma branda maré conduzindo
As ondas do ocaso nascente
Que correm, ilesas, para a foz.


  

17. VAZANTE


Vales, vias e esquinas
Vieses, velozes campinas.
Vidas lutadas
Sonhos derramados
Realidade árdua
Coração frágil,
                             frágil,
             frágil...
                              vazante.

M. 

"ARQUIVOS ARQUEOLÓGICOS VII"



14 . SENTIDO EXISTENTE


Não caminho no mundo
Porque me deram vida.
Caminho a terra
Porque me deram ser em almas
Porque fui  feita para sorver
As dores do compêndio (des)humano
Fui feita para me ver
Morrendo no todo, nascendo do nada.
Lutando sem poder
Contra ferida que em mim tece em mortes.
Sou assim,
Luz que se apaga e grita
Atada ao leito encarnatório
Das vidas futuras que me espreitam. 
Um dia quando tudo parecer findar
Merecerei a vida que não me deram
Neste ciclo de nascer e fluir
Ilesa nas larvas viventes.                         





15. ENCONTRO


Nasci em um distante lugar.
Caí em grades invisíveis,
Jorrante de poesias.
Dentro de uma garrafa
Fiz-me
Gênio inexistente
Sem feitiços
Caí em praias silentes
Acharam-me
Para a liberdade,
Pura Vontade.

M. 

"ARQUIVOS ARQUEOLÓGICOS VI"




12.     TÓPICOS


 “Deveria haver uma poesia que chovesse  no árido da seca do “ser  tão” em uma lágrima perene de fartura”
(...)
“O sertanejo raspa a terra, há uma poesia em ventos que secos vibram no vazio sem tempo, só temperatura”
(...)
“Pés descalços deixando o limbo nos seixos. Terra  crivada, marca seca, morte úmida de lágrima invisível”
(...)
“Deixei  meu rastro em açude profundo onde o lamento é lama e sentimento”
(...)
“O “ser tão” em desuso, venta o uivo, canta o choro do anu, decote de um tempo sempre tranqüilo” 
(...)
“A dor de matar a vida, a  dor de viver a morte”.
 (...)
“Eu não me mato por simples devoração de mim”.
(...)
“Quero mais que uma epidérmica emoção, quero o eterno álmico”
(...)
“Não me sou, sendo o que realmente sou”.


13 . ESCORIAÇÕES


Rústica estrada,
Meu pensar esparramado pelo mundo.
Abóbada estrela,
Detê-la,
Abster-me.
Nada mais quero.
Minha voz ressoa em minhASAS.
Rígida corrida.
Vencê-la
Sofrer-me
Você é tudo e nada
Preciso e não necessito de seu olhar
Seus beijos dilúvios
Que deixam em mim escoriações.
Tudo pulsa em um sentir oculto.
Vê-la,
Valer-me
Tecendo a natureza
Um morro,
Um sol,
Um pássaro
Uma nuvem
Vendo-lhe
Uma vida
Uma luz
Um infinito
Um mistério
Minhas pegadas sob seus pés.
Luz vendaval.
Retê-la,
Crescer-me.
Habitat de seu interior
Íntimo do meu
O muro separa limites
Sem lindes, risco nosso mundo  índigo.
Sentimento consolidado
Papoulas, lagos, filhos
Liames, vieses e a sorte
Supor,  sonhar, morte estelar.
Quanto mais vivo
Mais amor a entregar
Sem perder-lhe
Acorrente-me
Na prece do violão
Que dedilha minhas  harpas  álmicas
E faz minhas asas arderem na vontade
De apenas voar.

M. 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

PERCEBES?




EU SANGRO, SANGRO E SANGRO QUASE ATÉ MORRER-ME
MAS NINGUÉM SE APERCEBE.
CHORO, COPIOSAMENTE, EM UMA INVISIBILIDADE DE LÁGRIMAS
QUE ESCORREM POR DENTRO DA ALMA E ME AFOGA.
NINGUÉM NOTA.
UMA FEBRE ME ASSOLA E CONVULSIONA
MEU RITMO.
ARDO-ME INTEIRA.
TUDO É POR DEMAIS DOLORIDO.
NINGUÉM OBSERVA.
E SANGRO DE UMA ANGUSTIANCESTRAL
VELHA CONHECIDA SAZONAL
QUE ME CHEGA E ME DEVORA E ME CONSOME
COM SEUS ÁCIDOS CRUEIS E MENEIOS IRÔNICOS.
TUDO UMA SINFONIA MALDITA
QUE ME MALTRATA E ME AGITA TANTO
QUE ME FAZ CONGELAR,
HIBERNAR,
DESFALECER,
DESESPERAR.
NINGUÉM SE DÁ CONTA
APENAS ME VÊEM POR FORA
UMA MULHER FORTE,
SEMPRE DE PÉ
ENQUANTO POR DENTRO
ESTOU AOS CACOS,
FRÁGIL, ENTRICHEIRADA,
EXAURIDA,
CABISBAIXA,
APAVORADA,
ESTÁTICA E AJOELHADA.
M.

"ARQUIVOS ARQUEOLÓGICOS V"



10.     TÓPICO I


Há conteúdo em ser
Forma em ter
Linguagem em  estar
Quando o espanto desce, eu em prece.
Delírio profundo do instante
difuso do oco do mundo.




11.     SAUDADE


Saudade,
Impossibilidade telúrica
Angustia efervescente
Ansiosa
Indecifrágil
Intermitente
Ensandecida
                         SAU(VA)

Sal,
Solitário sarau
Variedade
Insana maldade
Volátil.
                           DA(diva)

Necessidade delirante
Crescente,  pretensiosa
Infalível  infante
Liberdade.
                                DE(flora)

M. 

"ARQUIVOS ARQUEOLÓGICOS IV"



8.     MUROS INVISÍVEIS, CORTINAS


Morre-se a cada segundo
Em cada gota de riso
Em cada punhal arremessado
Em cada rubor maligno
Em cada tentativa rapínica
Em cada anulação de nós

Morre-se em cada inquietude
Em cada dor que sente o desamor
Morre-se em tudo
Pelo nada de todos

Morro por ti
Da cada morte
Nasço-me Vívida.
Vida ímpar
Sofrida, ferida
Repleta de máculas abrangentes
Diretiva a delinear
Um átomo da felicidade
Que nos mereça.



9.     TÓPICO


Sempre que sempre
                ou
Quase sempre
Contemplo o firmamento
                    e
O que percebo são estatísticas
              cintilantes
Na tentativa falha de clarear
O negro vazio.

M. 

"ARQUIVOS ARQUEOLÓGICOS III"



6.     ESCAMAS


Todas as membranas
                                           escamas no tempo
Todo advento
                                          surte anestésico
Sóis filhos sem caminhos
                                         espinhos cristalizados
Cada costela definhando
                                        acabando com os dias
Movimentos vazios
                                       vivos trucidando vivos
Lutas e mais lutas
                                     confusas forças brutas
Tanto tempo insistindo
                                    fugindo de fantasmas
Vontade incomedida de parar
                                    não mais respirar.



7.     CÂNTICOS NAVAIS


Meu corpo se derrama ao sol
Lato bemol de estrelas.
Meus sol/risos
Nos lábios teus.
Faz tempo que caminho
Na luz dos pinheiros
Brilhei ao ouvir-te
Luminante face dos anjos
Baterias de cânticos navais
Estamos no centro
Perto das alvasaudades
Camadas e poemas.
Sonhos passeando pelos altares
Mares e crucificações
Meu coração te pertence
Ser de vertências
Vivência do meu corpo
Descendo do sol
Para beijar os narcisos
Das estradas imortais.
Faz-me perpetrar teus desejos
                              perpetuar teus lábios
Beije-me como sol
Habitante cálido do céu.

M

sexta-feira, 20 de julho de 2012

SENHORES RELÂMPAGOS



Por onde caminham os Senhores Raios
Que de timidez e contenção nada tinham?
Riscavam corajosos e cantantes os céus,
Sem fragmentos.
Inteiros, intensos se expandiam
Desenhando, em júbilo, as veias de Deus.
Não traziam peso algum, nem disfarces
Apenas se espreguiçavam e exalavam suas manifestações con-centradas
De lux e energialmica.
Hoje parecem cansados,
Carregando pesos, abafados,
Mal conseguem se entregar ao sagrado desenhar geométrico
De suas artérias relampejantes a se espalhar em puro céu.
Riscam o firmamento em linhas pontilhadas,
Sem conseguir vencer os obstáculos energéticos
Que lhes impedem o livre derramar de seus elétrons.
Hoje parecem agrilhoados,
Como que emanação cansada,
Intoxicada pela densidade,
Como que ancião que não logra subir
 íngreme escarpa.
Contidos, abatidos, detidos,
Idos...

M.